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Fazer psicoterapia com inteligência artificial (IA) apresenta diversos riscos que precisam ser considerados com atenção e seriedade.
Primeiramente, a IA não possui a capacidade de empatia genuína, um elemento fundamental na relação terapêutica. A escuta ativa, a compreensão das emoções e a resposta sensível às nuances do sofrimento humano são aspectos que somente um terapeuta humano pode oferecer de forma autêntica. A ausência dessa conexão emocional pode limitar a eficácia do tratamento e deixar o paciente com sensação de vazio ou incompreensão.
Além disso, a IA pode apresentar dificuldades para interpretar contextos complexos subjetivos que envolvem a história de vida, cultura e singularidades do paciente. Muitas vezes, o sofrimento psíquico está entrelaçado a fatores multifacetados que exigem uma análise profunda e flexível, algo que algoritmos e programas automatizados não conseguem realizar adequadamente. Isso pode resultar em intervenções superficiais, rasas, inadequadas ou até mesmo prejudiciais.
Existem relatos* de pessoas que se sentiram pior e mais dispostas a tirar a própria vida, após pedirem aconselhamento via Inteligência Artificial. Isso evidencia o grande risco de confiar à uma IA, o cuidado com a saúde mental, principalmente em casos mais graves.
Outro ponto crítico é a questão da privacidade e segurança dos dados, pois existe um maior risco em relação à confidencialidade, sigilo e a segurança do paciente, um princípio ético fundamental na psicoterapia, inclusive um ponto presente no Código de ética de Psicologia.
Por outro lado, a psicoterapia com um profissional humano oferece benefícios e diferenciais importantes. O psicólogo pode estabelecer uma relação de confiança e acolhimento, adaptando as intervenções às necessidades específicas do paciente e promovendo um espaço seguro para a expressão emocional. A flexibilidade e a criatividade do profissional, permitem que ele responda de forma personalizada às mudanças e desafios que surgem ao longo do processo terapêutico, algo que a IA não consegue replicar.
Além disso, o terapeuta humano é capaz de perceber sinais não verbais, emoções implícitas e resistências que muitas vezes escapam à análise automatizada. Essa percepção contribui para um trabalho mais profundo e eficaz, favorecendo o autoconhecimento e a transformação pessoal.
A presença humana na terapia é, portanto, algo indispensável e que também reforça o compromisso ético e a responsabilidade profissional, garantindo que o cuidado seja conduzido com respeito, sensibilidade e competência.
Referência usada no texto: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce8z4x2060lo